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Garagem Elétrica

Como montar um eletroposto no seu negócio

Atualizado em 2026-08-31

Instalar um carregador no seu estabelecimento é uma decisão de duas partes: uma técnica, igual à de qualquer instalação elétrica, e uma comercial, que é onde a maioria erra.

Primeiro: você pode cobrar pela recarga?

Pode. A Resolução Normativa ANEEL nº 819/2018 estabeleceu que o serviço de recarga pode ser prestado por qualquer pessoa física ou jurídica, sem necessidade de concessão ou permissão de distribuição de energia.

O ponto jurídico que importa: você não revende energia elétrica, o que seria vedado. Você presta um serviço de recarga, e o preço desse serviço é livre. É o que permite que shopping, hotel, posto e estacionamento cobrem.

As exigências elétricas

São as mesmas de qualquer ponto de recarga, com escala maior:

  • Padrão trifásico para carregadores de 22 kW. Rede monofásica limita a 7,4 kW.
  • Circuito dedicado, não compartilhado com a carga do estabelecimento.
  • Dispositivo diferencial residual adequado à recarga veicular.
  • Proteção contra surtos e descargas atmosféricas.
  • Aterramento com resistência adequada, verificado e não presumido.
  • Cabeamento dimensionado para a corrente real e contínua, considerando a distância.
  • Projeto com ART. Entenda por que exigir.

O ponto crítico é a demanda: recarga é carga alta e prolongada somada ao consumo que já existe no seu negócio. Um restaurante com câmara fria, forno e ar-condicionado tem pouca margem no horário de pico. Veja como avaliar antes de investir.

As quatro decisões comerciais

1. Cortesia ou pago?

Cortesia atrai fluxo e é simples de operar: sem app, sem cobrança, sem conciliação, sem suporte a usuário. O custo é a energia, que costuma ser pequeno perto do ganho de movimento.

Pago gera receita direta, mas exige plataforma de gestão, cadastro do usuário, meio de pagamento e alguém para atender quem não conseguiu carregar.

Para a maioria dos comércios com permanência longa, cortesia dá mais retorno. Veja por que.

2. AC ou DC?

Corrente alternada (7,4 a 22 kW). Custa muito menos, instalação mais simples. Serve para quem fica uma ou duas horas: restaurante, hotel, supermercado, academia, oficina.

Corrente contínua rápida. Custa uma ordem de grandeza a mais, exige potência de entrada muito maior e infraestrutura pesada. Só se paga com fluxo de passagem: rodovia, posto de combustível, ponto de rota.

Escolha pelo tempo de permanência do seu cliente, não pela potência do catálogo. Veja o ranking por tipo de negócio.

3. Quantos pontos?

Comece com um, dimensionando a infraestrutura para dois ou três. O caminhamento e o quadro são a parte cara e difícil de refazer; o segundo carregador é barato quando a infraestrutura já está lá.

4. Investimento próprio ou parceria?

Você compra e opera, ou uma operadora instala e divide a receita. Cada modelo tem uma troca clara entre capital, receita e controle. Veja a comparação e as cláusulas a checar.

O que define se vale a pena

Não é o número de carros elétricos na cidade. É quanto tempo o seu cliente fica no local.

Um carregador AC entrega poucos quilowatts por hora. Se o cliente fica dez minutos, ele recebe energia irrelevante e o equipamento não cumpre função. Se fica duas horas, sai com carga útil e volta.

Faça a conta pelo tempo médio de permanência antes de olhar qualquer projeção de receita.

Passo a passo

  1. Verificar tipo de fornecimento e margem de carga disponível no horário de pico
  2. Medir a permanência média do cliente e escolher AC ou DC
  3. Definir cortesia, cobrança ou modelo misto
  4. Decidir entre investimento próprio e parceria com operadora
  5. Contratar projeto e instalação com ART, dimensionando a infraestrutura para expansão
  6. Cadastrar o ponto nos aplicativos de localização, que é como o motorista escolhe onde parar
  7. Sinalizar a vaga e definir regra de uso, incluindo proibição de estacionar sem carregar
  8. Medir o resultado: recargas por dia, clientes novos, tempo de permanência

O item 8 é o que quase ninguém faz — e é o que diz se vale expandir ou não.

O seu caso específico

A conta muda bastante conforme o tipo de negócio, porque o que decide é quanto tempo o cliente fica parado:

Um alerta sobre as projeções do setor

Você vai encontrar material comercial com números animadores de receita. Eles não são falsos, mas assumem uma taxa de utilização que pode não ser a sua realidade.

Veja como conferir esses números antes de investir.

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