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Garagem Elétrica

Recarga para frota: quantos carregadores a sua empresa precisa

Atualizado em 2026-09-01

Todo o resto deste silo trata de recarga como receita — você instala para atrair cliente ou vender energia. Frota é o contrário: recarga é custo operacional, e a pergunta muda de “quanto rende” para “quanto economizo e quanto preciso investir para isso”.

Essa inversão muda praticamente todas as decisões técnicas.

Frota é o melhor caso que existe para eletrificação

E isso não é entusiasmo, é característica do problema.

Carro particularFrota
QuilometragemVaria muitoPrevisível, às vezes rota fixa
Onde dormeUma casaUm pátio, todos juntos
Horário de retornoImprevisívelFim do turno, conhecido
Quem operaCada um por siProcesso definido
O que decide a compraPreferênciaPlanilha

Consumo previsível, veículos parados no mesmo lugar por horas, e retorno em horário conhecido. É o cenário ideal para gestão de carga — e é por isso que frota costuma precisar de muito menos infraestrutura do que o gestor imagina.

Você não precisa de um carregador por veículo

Este é o erro de dimensionamento mais caro, e o mais comum.

A conta que a maioria faz: 20 veículos, logo 20 pontos. A conta certa parte de outro lugar — energia por noite, não pontos simultâneos.

Suponha 20 veículos que rodam 120 km por dia, consumindo 20 kWh/100 km:

energia por veículo = 120 × 20 ÷ 100 = 24 kWh por noite
energia da frota = 24 × 20 = 480 kWh por noite

Com uma janela de 12 horas no pátio e pontos de 11 kW, cada ponto entrega:

11 kW × 12 h = 132 kWh por noite

Ou seja:

480 ÷ 132 ≈ 4 pontos

Quatro pontos, não vinte — desde que os veículos sejam remanejados ao longo da noite, ou que se use gestão de carga automatizada.

Na prática ninguém dimensiona no limite. Você acrescenta folga para falha de equipamento, veículo que chega mais tarde e dia atípico. Mas a ordem de grandeza é essa: algo entre um quarto e metade do número de veículos, não um para um.

O que muda essa conta: operação de dois turnos, veículo que sai de madrugada, rota que estoura a quilometragem prevista, ou pátio sem ninguém para remanejar os carros. Se algum desses existir, a relação sobe. Dimensione pela sua operação real, não pela média.

Por que AC quase sempre resolve

O carregador rápido em corrente contínua parece a escolha óbvia para frota, e quase nunca é.

O veículo fica parado a noite inteira. Recarga que leva 5 horas ou 10 horas dá no mesmo, porque o carro só sai às 6h de qualquer forma. Pagar dez vezes mais para terminar às 22h em vez das 3h não compra nada.

DC só se justifica em frota quando:

  • a operação tem dois turnos e o veículo precisa girar no meio do dia
  • a rota é longa e o veículo volta com bateria muito baixa, com pouca janela
  • existe recarga de oportunidade durante o expediente, entre entregas

Fora esses casos, vários pontos AC entregam mais pelo mesmo dinheiro: atendem mais veículos ao mesmo tempo, distribuem a carga elétrica ao longo da noite em vez de concentrar em picos, e falha de um ponto não para a operação. Veja a análise completa de quando o DC se paga.

A armadilha da demanda contratada

É aqui que orçamento de frota estoura, e o item não aparece na proposta do fornecedor de carregador.

Se todos os veículos plugarem ao mesmo tempo no fim do turno, o pico de demanda pode redefinir a demanda contratada da empresa — e você passa a pagar por ela todo mês, tenha usado ou não.

Pior: o pico da recarga pode coincidir com o pico da operação, se o turno terminar antes do expediente administrativo.

Três formas de resolver, da mais barata para a mais cara:

1. Gestão de carga. O sistema distribui a potência disponível entre os veículos plugados e nunca estoura o teto configurado. É a solução que resolve a maioria dos casos, e custa uma fração das outras duas.

2. Programação horária. Concentrar a recarga na madrugada, quando o consumo da empresa está no piso. Se houver tarifa horária, isso vira economia dupla.

3. Aumento de demanda. Processo formal com a distribuidora, com projeto, prazo e custo permanente. É o último recurso, não o primeiro.

Peça que a proposta declare qual pico de demanda a instalação vai gerar e como ele será limitado. Fornecedor que não responde isso está deixando a conta para você descobrir na fatura.

A conta que decide o projeto

Frota se justifica por custo por quilômetro, e a comparação precisa ser honesta dos dois lados.

Do lado elétrico, o custo por km é a tarifa efetiva multiplicada pelo consumo. E a tarifa varia muito por distribuidora — entre capitais brasileiras a diferença chega a 50%. Veja o comparativo por cidade.

Do lado da combustão, use o consumo real da frota, não o do catálogo, e inclua manutenção. É aí que a diferença aparece de verdade: veículo elétrico tem menos itens de desgaste, e em frota isso se multiplica por quilômetro rodado.

Use a calculadora de custo por km com os números da sua operação.

O que não entra nessa conta e precisa entrar na decisão: o investimento na infraestrutura de recarga, a diferença de preço dos veículos, e o valor residual na revenda.

O que quebra na operação

A parte que ninguém antecipa, e que decide se o projeto funciona no mês seis.

Ninguém pluga o carro. Parece bobo e é o problema número um. Precisa estar no procedimento de fim de turno, com responsável definido, do mesmo jeito que abastecer estava.

Veículo carregado ocupando o ponto. Se os pontos são menos que os veículos, alguém precisa remanejar. Ou você automatiza com gestão de carga, ou define quem faz e quando.

Falta de visibilidade. Sem saber quanto cada veículo consumiu, você não consegue apurar custo por rota nem detectar uso indevido. Sistema de gestão com relatório por veículo deixa de ser luxo em frota acima de meia dúzia de carros.

Manutenção do ponto. Um carregador parado em pátio de frota é veículo que não roda no dia seguinte. Contrato de manutenção com prazo de resposta definido é diferente de garantia de fábrica.

O que exigir na proposta

Além do que vale para qualquer instalação — circuito exclusivo, proteções dimensionadas para corrente contínua e prolongada, aterramento verificado e projeto com ART:

  1. quantos pontos, e a memória de cálculo que chegou nesse número
  2. pico de demanda gerado e como será limitado
  3. sistema de gestão de carga: existe, é obrigatório, quanto custa por mês
  4. relatório por veículo: consegue exportar?
  5. protocolo aberto: o equipamento fala OCPP? Isso evita ficar preso a um fornecedor de software
  6. contrato de manutenção com prazo de resposta, não só garantia
  7. plano de expansão: quanto custa acrescentar pontos depois

A pergunta 1 é a que separa fornecedor de vendedor. Quem chega com “um ponto por veículo” sem perguntar a sua janela de recarga não fez conta nenhuma.

Um caminho para começar sem investir

Assim como em eletroposto comercial, existem operadoras que instalam e operam a infraestrutura no seu pátio, cobrando por energia entregue ou por assinatura, sem custo de implantação.

Vale avaliar quando o capital é escasso ou quando a frota ainda está em transição e o dimensionamento final é incerto. Você troca margem por risco menor. Veja os modelos de parceria.

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